quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Voz Do Silêncio

Pior do que a voz que cala,

é um silêncio que fala.



Simples, rápido! E quanta força!



Imediatamente me veio à cabeça situações

em que o silêncio me disse verdades terríveis,

pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.

Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.

Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.



Silêncios que falam sobre desinteresse,

esquecimento, recusas.



Quantas coisas são ditas na quietude,

depois de uma discussão.

O perdão não vem, nem um beijo,

nem uma gargalhada

para acabar com o clima de tensão.



Só ele permanece imutável,

o silêncio, a ante-sala do fim.



É mil vezes preferível uma voz que diga coisas

que a gente não quer ouvir,

pois ao menos as palavras que são ditas

indicam uma tentativa de entendimento.



Cordas vocais em funcionamento

articulam argumentos,

expõem suas queixas, jogam limpo.

Já o silêncio arquiteta planos

que não são compartilhados.

Quando nada é dito, nada fica combinado.



Quantas vezes, numa discussão histérica,

ouvimos um dos dois gritar:

"Diz alguma coisa, mas não fica

aí parado me olhando!"



É o silêncio de um, mandando más notícias

para o desespero do outro.



É claro que há muitas situações

em que o silêncio é bem-vindo.

Para um cara que trabalha

com uma britadeira na rua,

o silêncio é um bálsamo.

Para a professora de uma creche,

o silêncio é um presente.

Para os seguranças de um show de rock,

o silêncio é um sonho.



Mesmo no amor,

quando a relação é sólida e madura,

o silêncio a dois não incomoda,

pois é o silêncio da paz.



O único silêncio que perturba,

é aquele que fala.



E fala alto.



É quando ninguém bate à nossa porta,

não há emails na caixa de entrada

não há recados na secretária eletrônica

e mesmo assim, você entende a mensagem



Martha Medeiros

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